Reza a história que, há muitos séculos, nas aldeias ocultas da Serra de Sintra, o Beltane era celebrado quando a terra acordava por completo. Durante dias, os fogos eram acesos para chamar a fertilidade, a abundância e a promessa do verão. Nesse ano, os mercadores chegavam com sementes raras, tecidos coloridos e talismãs vivos. Taberneiros serviam infusões doces e ardentes. A música ecoava pelos bosques, e corpos e espíritos dançavam em uníssono.
Era o tempo de celebrar a vida, a união e o desejo.
Era o tempo em que o mundo florescia.
Mas nesse mesmo ano… algo despertou.
Nas clareiras mais antigas, os fogos de Beltane arderam com força invulgar, abrindo caminhos entre os mundos. O bosque respondeu. O chão pulsou. Sussurros antigos correram entre as árvores, como se Aes Sidhe, o Povo Oculto, observassem cada passo dos humanos.
Diz-se que a May Queen foi coroada antes do tempo.
Diz-se que o Green Man caminhou novamente entre as raízes.
E diz-se que, nem todos os portais se fecharam como deviam.
Agora, aldeões, viajantes e forasteiros reúnem-se uma vez mais…
Mas não apenas para celebrar.
O recinto transforma-se num território vivo, onde cada caminho guarda um sinal, cada encontro esconde um enigma e cada escolha tem peso. O ar vibra com música, fogo e encantamento. Os mercadores regressam com relíquias que pedem interpretação. Os taberneiros oferecem elixires que revelam mais do que prometem. Bardos contam histórias incompletas. Criaturas do bosque observam em silêncio
.Algo precisa de ser compreendido.
Algo precisa de ser atravessado.
Entre danças circulares, rituais de fogo e jogos de destino, a comunidade é chamada a desvendar os segredos de Beltane, antes que a crescente luz permeie a roda do ano, ocultando novamente o que estava quase exposto, pronto a ser desvelado, compreendido e integrado na natureza humana.
Pois quando o fogo arde alto em celebração coletiva, a nossa natureza mais profunda conecta-se com a alma de todos os seres, reconectando-se com o que estava esquecido. Pela primeira vez em muitas gerações, os portais de Beltane estão abertos e só quem participa poderá aprendê-los e percorrê-los.
O véu aberto no Samhain pela primeira vez em 500 anos, desvela-se agora na metade clara do ciclo, e chama-nos no âmago da sua essência para que possamos juntos integrar os ensinamentos das estações do ano e das suas divindades sempre vivas.
Junta-te a nós, tira a máscara!